Reações

Reações com a reposição das Imunoglobulinas IgIV

Administração das Imunoglobulinas deve ser monitorada pelos médicos durante as infusões, pois pode apresentar algumas reações dependendo de cada paciente.

Visto que a IgIV é um hemoderivado extraído de milhares de doadores humanos.

Estudos apontam uma incidência de reações bastante variável, entre 0,6 a 30%.

Os efeitos adversos durante a infusão podem mimetizar quadros infecciosos, incluindo sintomas como

tremores, dores articulares e musculares, febre e dor de cabeça. Reações do tipo opressão no peito falta de ar e taquicardia também podem ocorrer. Efeitos adversos graves como lesão renal, hemólise ou trombose são raros. A insuficiência renal é raramente relatada e parece estar associada ao uso sacarose em algumas marcas de imunoglobulinas.

Fatores de risco para essas reações com as IgIV

  • 1. O paciente estar com alguma infecção,
  • 2. Alta velocidade de infusão,
  • 3. Primeira infusão ou intervalo grande desde a última infusão,
  • 4. Trocas frequentes de marcas do produto,
  • 5. Aplicação da medicação ainda gelada (sem deixar ficar em temperatura ambiente)
  • 6. Presença de anticorpos anti-IgA no soro dos pacientes.

A maioria das reações são leves e poucas anafiláticas.

Além de monitorar sintomas durante todo o período de infusão, particularmente nos casos de troca das marcas ou quando houver um longo intervalo entre doses, considerar o teor de glicose da solução de IgIV e, em casos de diabetes evitar preparados que contenham açúcar, considerar fatores de risco de falência renal: insuficiência renal preexistente, diabetes mellitus, hipovolêmica, obesidade, uso concomitante de medicamentos nefrotóxicos ou idade superior a 65 anos.

É importante entender que a velocidade ideal para receber a imunoglobulina pode variar de um paciente para outro. Alguns toleram infusões mais rápidas, que demoram menos de 4 horas, enquanto outras pessoas apenas toleram velocidades mais lentas, em que aplicação pode durar mais de 6 horas.

De maneira que se possa ter controle sobre este tipo de reação, é muito importante que médicos, pacientes e seus responsáveis as observem e relatem. As reações podem acontecer durante a aplicação do medicamento, sob supervisão de um profissional de saúde, ou podem acontecer depois da aplicação.

É fundamental que se converse com o médico responsável sobre as possíveis reações que você ou o paciente sob sua responsabilidade estejam apresentando, antes de fazer qualquer tipo de notificação.

A notificação pode ser feita por médicos e por pacientes no site da ANVISA. É possível notificar efeitos adversos (efeitos não desejados decorrentes do uso de algum medicamento) ou queixas técnicas (suspeita de irregularidades com um medicamento).

2. Imunodeficiência comum variável e outras hipogamaglobulinemias primárias

A deficiência de produção de anticorpos é definida pela redução da concentração sérica de imunoglobulinas e/ou defeito significativo na produção de anticorpos após estímulo específico. O protótipo dessa doença é a Imunodeficiência Comum Variável (ICV) que pode ser resultado de várias alterações genéticas. O tratamento destes pacientes com IgIV reduz de forma significativa o número de infecções. Esses pacientes são propensos a desenvolver pneumonias de repetição e, consequentemente, doença pulmonar crônica. O reconhecimento e tratamento precoces com IgIV são fundamentais para melhorar o prognóstico do paciente, com redução do número de pneumonias e da progressão da doença pulmonar crônica.

3. Síndromes de Hiper-IgM ou Defeitos de “Switch” ou mudança de classe de Imunoglobulina

Estas doenças são caracterizadas por concentrações séricas reduzidas de IgA e IgG, com produção inadequada de anticorpos após estímulo e níveis normais ou elevados de IgM. O número de linfócitos B é normal, mas os pacientes apresentam quadro clínico de infecções de repetição que se assemelham aos ocasionados por agamaglobulinemia. Existem diversos distúrbios genéticos associados aos defeitos

de comutação isotípica, sendo que alguns deles se caracterizam pela presença de infecções oportunistas. O tratamento com IgIV é fundamental para a redução dos quadros infecciosos.

4. Deficiência de Anticorpos com concentrações normais de Imunoglobulinas

A terapia de reposição com IgIV pode ser indicada nestes casos, quando houver deficiência de resposta a antígenos (usualmente polissacarídicos) bem documentada associada a infecções graves e/ou infecções pulmonares de repetição com necessidade de antibioticoterapia e/ou risco de sequelas.

5. Deficiência de IgA associada a Deficiência de Subclasse de IgG

Não há indicação de uso de IgIV para pacientes com Deficiência de IgA, exceto em casos nos quais há associação de deficiência de subclasse de IgG, ou melhor, quando há prejuízo na produção de anticorpos. Nesses casos, deve-se optar por preparados com mínimas concentrações de IgA, pois a possível produção de anticorpos anti-IgA pode resultar em reações graves, principalmente se os anticorpos forem da classe IgE.

6. Hipogamaglobulinemia Transitória da Infância

É a causa mais comum de hipogamaglobulinemia sintomática em crianças com menos de dois anos de idade. O diagnóstico só pode ser feito de forma retrospectiva, quando os níveis de IgG alcançam valores apropriados para a idade. Em geral, a doença tem curso benigno, mas algumas crianças cursam com infecção grave e o uso de IgIV pode ser benéfico por tempo limitado.

7. Imunodeficiências Combinadas

Entre as IDP, as Imunodeficiências Combinadas são consideradas as mais graves, isto é, são situações clínicas com defeito da imunidade mediada por linfócitos T e B. Entre elas, as Imunodeficiências Combinadas Graves (IDCG ou “SCID – Severe Combined Immunodeficiency”), que já somam mais de 25 variantes, constituem o fenótipo mais dramático. As células B podem estar presentes em alguns tipos de SCID, porém sem função adequada20. Nestas, a imunidade adaptativa é ineficaz e o único tratamento capaz de evitar a evolução fatal do paciente é o transplante de células-tronco hematopoiéticas. A IgIV deve ser indicada imediatamente após o diagnóstico e deve ser mantida até o paciente adquirir a capacidade de produção de anticorpos. Muitas vezes, mesmo após o transplante, não há reconstituição das células B e a aplicação de IgIV não poderá ser interrompida.

8. Síndrome de Hiper-IgE

Pacientes com síndrome de Hiper-IgE geralmente apresentam concentrações normais de Imunoglobulinas, mas alguns têm deficiência de produção de anticorpos após imunização ativa. Há pacientes com infecções respiratórias graves que podem se beneficiar com infusão de IgIV.

9. Síndrome de Wiskott-Aldrich

Na síndrome de Wiskott-Aldrich também há prejuízo na produção de anticorpos a antígenos proteicos e polissacarídicos e a infusão de IgIV auxilia a redução dos quadros infecciosos até a realização do tratamento definitivo, ou seja, o transplante de células-tronco hematopoiéticas.

10. Ataxia-telangiectasia

Uma proporção significativa dos pacientes com ataxia-telangiectasia são deficientes de IgA (70%) e outros apresentam deficiências de subclasses de IgGe e produção inadequada de anticorpos ao pneumococo, com infecções de repetição. As alterações da imunidade celular e humoral, quando importantes, sugerem considerar o uso de IgIV.

11. Síndrome de WHIM

Pacientes com síndrome de WHIM (verrugas, hipogamaglobulinemia,infecções, mielocatexia) que receberam infusão de IgIV apresentaram melhor controle e redução dos episódios infecciosos. Atualmente tem sido reconhecido que apenas a prevenção de pneumonia ou infecções graves não é suficiente para que o paciente seja considerado “bem tratado”. Tem-se dado muita atenção à manutenção de função pulmonar adequada e à qualidade de vida do paciente.

Fontes: Adaptada da ASBAI – I Consenso Brasileiro sobre o uso de Imunoglobulina Humana em Pacientes com Imunodeficiências Primárias

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